quarta-feira, julho 23, 2003

AFECTOS (9)

«Na Praia

Raça de marinheiros, que outra coisa vos chamar,
senhoras que com tanta dignidade
à hora que o calor mais apertar
coroadas de graça e majestade
entrais pela água dentro e fazeis chichi no mar?»

Ruy Belo, Homem de Palavra(s), Lisboa, Dom Quixote, Cadernos de Poesia, 1970: 121


terça-feira, julho 22, 2003

ALQUIMIA (3)

Trabalho de casa.

Trabalho sobre os textos do Virgílio Martinho [ver posts de 20 e 25 de Junho] na companhia de W. Benjamin (Rua de sentido único e Infância em Berlim por volta de 1900, Relógio d’Água, 1992):

«[...] a força de um texto diverge, conforma é lido ou transcrito. [...] somente quando copiado, o texto domina a alma do que sobre ele se debruça, ao passo que o simples leitor nunca chega a conhecer as novas perspectivas do seu íntimo [...]» [p. 43]

«Não há nada de mais pobre que uma verdade expressa tal como foi pensada. [...]» [p. 97]

«As citações, no meu trabalho, são como salteadores à beira do caminho, que irrompem armados e retiram ao passeante a sua convicção. [...]» [p. 98]

Trabalho de cópia.

«[...] Sei, escrevo hoje e invento-me, estou presente no emaranhado das coisas da memória. [...]»
[Relógio de cuco, p. 50]



«Eu amava o velho pai como quem amam uma coisa inventada, sem palavras nem carinhos. Via-o enorme, as pernas sempre a fugirem de mim, o corpo magro ligeiramente curvado e lá em cima e as fossas do seu nariz. E era esta e não outra a minha invenção de pai. Via-o e era o mesmo que sentir-me duas vezes, como sombra na parede ou imagem no espelho. Porque ele tinha um ar severo e grave, raramente me falava, nunca me beijava, só uma vez me atirou com a mona às pernas. Como um pai que não há. [...]»
[Relógio de cuco, p. 13]


segunda-feira, julho 21, 2003

ALQUIMIA (2)

Descobri há pouco que alguns leitores do blog não estão familiarizados com o seu funcionamento: uma amiga sabia que estava aqui o meu texto sobre o Virgílio Martinho e como ele não está imediatamente à vista não o leu. Por isso, para quem aqui chegue e não seja “blogonavegador” fica o esclarecimento: no lado direito do blog, abaixo dos "LINQUES", está a palavra "HISTÓRICO" e logo abaixo desta, datas em link: clicando tem acesso aos textos (posts) organizados por semana - o blog vai "escondendo" os textos passados mas eles continuam acessíveis. Se por qualquer razão não descobrir o que quer, utilize o recurso do e-mail (abaixo deste post [Comentário] ou no cimo do blog do lado direito).


sábado, julho 19, 2003

AFECTOS (8)

Gnossienne Nº 1

«Eu acreditei que podia amar
o teu corpo, o teu modo de insinuar o coração
nas palavras. Mas era apenas a forma como a noite
sublinhava as superfícies, eu nunca pude atravessar
essa espessura. Estavas ali para te dispores aos meus sentidos
mas crescias fora de alcance no teu próprio
pensamento. Uma distância que só serviria
aos lobos, um mau caminho arrancado às fragas.

Já só conhecia os dias onde tu os frequentavas, o sítio
em que me mantinhas era mais urgente
que o sangue. Sem dúvida que vinhas pelo meu desejo
mas eu perdia sempre alguma coisa
quando te ganhava. Às vezes era só
a minha vontade, outras vezes era toda a frase
do meu nome.»

Rui Pires Cabral, Música Antológica e Onze Cidades, Lisboa, Presença, 1997: 11

Fim de semana

«Fim de semana nos arredores
onde quer que se encoste a luz, aquele domingo de Maio
ouvindo os sinos em Mafra. No escuro eu já caminhava
para ti? A cada manhã posso dizer: ainda se mexem
os dias, tenho um préstimo para estes braços.

No pequeno café onde calha
trazes uma razão agarrada, guardas o meu movimento em ti
como num mapa. A Califórnia toda enfeitada no lustro
das fotografias, os lagos frios de Lausana
ou Genebra: o que interessa isso agora?

Descascas uma laranja para mim. Com a música alto
levamos livros e cigarros para a cama, os estores estão corridos
desde o princípio da tarde.»

Rui Pires Cabral, Praças e Quintais, Lisboa, AVERNO, 2003: 26

sexta-feira, julho 18, 2003

BIBA O SÔR ZÉ MANEL FURNANDES!

O jornal Público, na sua edição on-line, omite as páginas de cultura; também on-line, mas reproduzindo (?) a edição impressa, omite, hoje, no suplemento Y a (única) página dedicada ao teatro; o mesmo faz com o artigo, espantoso, de João Bénard da Costa sobre o filme Vai e Vem e João César Monteiro! BIBA O SÔR ZÉ MANEL FURNANDES!

O CIRCO NA GARAGEM

Assisti há pouco mais de uma hora ao espectáculo Circo, do Teatro da Garagem. Apetece-me escrever um pouco sobre o que vi, mas antes de mais deixo um aviso à navegação: o que se segue não é uma critica jornalística, é um apenas um brevíssimo conjunto de notas de alguém que escreve e faz teatro e, sobretudo, gosta muito de teatro.
Não vi todos os espectáculos da Garagem. Mas desde há uns anos a esta parte que procuro acompanhar as suas produções. A Garagem é um dos projectos que me apetece acompanhar, independentemente do grau de conforto e de prazer que cada um dos seus espectáculos em mim suscita. Hoje deu-me para pensar a causa disso. Longe de qualquer tentativa de fechamento analítico, sei, ou julgo saber, é melhor assim, duas ou três coisas (coisas que suspeito serem partilhadas por outras pessoas). Como outros projectos (em todo o mundo), este é um projecto de um criador, o Carlos Pessoa; não por ele ser escritor e encenador (e às vezes muitas outras coisas) em simultâneo, mas porque é ele que unifica e procura dar coerência a cada espectáculo no interior de um outro projecto, muito pessoal, que é fruto das suas especificas manias, preocupações, obsessões, vontades, ideais (e pode pôr-se aqui muitíssimos etcs). Creio que é paradigmático desta ideia de projecto os seus ciclos antecipadamente programados (Pentateuco - Manual de Sobrevivência para o Ano 2000 e O Livro das Cartas do Tesouro). Outra particularidade, e apercebo-me agora da dificuldade de falar disso, respeita ao modo muito singular como se aborda na Garagem, por processos distintos, o trabalho com o texto, com os actores e com a matéria plástica (chamemos-lhe assim em falta de outra designação mais apropriada). Os actores: sinto sempre uma enorme liberdade no seu trabalho, mas uma liberdade que não despreza o sentido da eficácia comunicativa; e este não é um factor desprezável, sobretudo se considerarmos que os actores se debatem sempre com dois espartilhos muito fortes: o texto, fragmentário até aos limites e excessivo (prolixo e neo-barroco, diz o Carlos serem os seus textos antes de Os Donos dos Cães, de 2002 - e aqui, Carlos, deixa-me dizer-te, discordo de ti; mas teremos oportunidade de falar disso); e a matéria plástica que funciona simultaneamente como dispositivo simbólico (igualmente excessivo) e como matéria orgânica (muitas vezes duplamente orgânica: no seu jogo corpóreo relacional e nas próprias matérias utilizadas). Do texto, que acabei por ir aflorando nas linhas atrás, hei-de falar mais demoradamente noutra ocasião. Refiro somente uma discordância com o que o Carlos diz a propósito desta sua nova fase que considera ser a de uma "escrita concisa e sintética": não duvido da sinceridade da sua intenção mas não me parece atingido esse desiderato - o texto que hoje ouvi tem uma forte marca barroca (uma nota: o texto que ouvi ler, outro dia, na livraria Eterno Retorno, O Significado da Mobília, pareceu-me mais próximo dessa intenção, uma escrita mais "enxuta" mas sem perder, digamos, automatismos de escrita, um certo descontrolo, que a mim muito me agrada, eivada de tiradas surrealizantes e de non sense).
Vou ter que parar por aqui (é que isto de escrever também cansa...). Mas hei-de voltar - com gosto - a reflectir sobre a Garagem (agora quase não falei do espectáculo que hoje vi! E já agora, para os comparsas deste blog: não percam o CIRCO!
Últimas notas, muito pessoais: gostei muito de ver as "minhas duas meninas"! E gostei muito de ti, Carlos O.! E gostei muito de ti, Miguel! Cláudia: a tua Diadora da terceira parte é uma beleza de contenção e de emoção interior! Luís: foi uma bela surpresa ver-te! Adoro os actores, esses "heróis frágeis"!
Carlos: gosto da ideia da senha, assim a modos que uma maneira de entrarmos nos mundos mágicos...
"Longa Vida e outros iogurtes ao Teatro da Garagem."




quinta-feira, julho 17, 2003

AFECTOS (7)

«Sobre ti que posso saber além
do que me dizem os sentidos
e os sentimentos que deles retiro
para chegar a esse ponto fulgurante
e ácido
onde aprendemos a brevidade da vida
e a maior brevidade – e mais escura –
do amor?»

Joaquim Manuel Magalhães, Uma Luz com um Toldo Vermelho [1990: 32]

quarta-feira, julho 16, 2003

LIBERDADES...

A "libertária" Fenda Edições proíbe (!) o acesso de alguns leitores ao seu site. Assim:

«Forbidden
You don't have permission to access / on this server.

Apache/1.3.27 Server at www.fenda-edicoes.pt Port 80
»

Quem quiser que tente, pode ser que tenha mais sorte do que eu!

terça-feira, julho 15, 2003

AFECTOS (6) - LAVA DE ESPERA (3)

Como o prometido é devido...

AS FILARMÓNICAS, LAJES DO PICO

«[...] Mas as senhoras de leque espanhol continuam, os vestidos pretos, gargantilha de ouro ou medalhão preso ao fio, sobre ramagens de falsa seda. Sentam-se aprumadinhas nas cadeiras de praia, por cima um anúncio da Oliva, a máquina de costura tradicional que em novas provavelmente desejaram, a escutar as Bandas, fingindo tomar conta das filhas. As netas mal falam português, sem controlo, a maior parte com shorts, moda que em geral transforma os europeus em atrasados ligeiros. Junto delas estão os mais velhos e os inválidos. Outros deambulam, os da segunda geração, iguais, os vídeos pulsando a tiracolo, geométricos nas máquinas, nos calções, uns já de telemóvel. Alguns mantém dignidade, as calças escuras, a camisa branca, só não resistem ao emblema dos bonés americanos. À beira-mar, um molho de raparigas cedeu com certeza a telha das mães, vestidos, rendas e fitas, os cabelos árabes desencalhados e uns rapazinhos que pertencem à Banda atiram pedras fazendo ricochete. No Maria Luna, à entrada da rampa deslizando ao cais, sentam-se meninas, ainda bebés, ostensivamente enfeitadas, as mais carecas não escapam às bandoletas cheias de rufos. Há gelados, frituras, o restaurante da Banda Liberdade de S. Roque do Pico, garagem ou se calhar recolha dos barcos, serve linguiça com inhame, abrótea, raia frita, as lapas. Encostado à porta um rapaz bonito de baça expressão, meias de lã nos pés e as sandálias de couro cruzam na perna. Albarcas como os pastorinhos de barro do presépio, um borrego sempre às costas, por vezes ajoelhavam. De um ano para o outro, na caixa de madeira junto à barba prateada do pinheiro, cheiravam a cedro, ao musgo que enfeitava o ringue do Menino. Em direcção ao carro, estacionado no largo do convento – a igreja segue-o mostrando a pedra ríspida, veias de lava insertas – dois meninos fardados de azul escuro estão ao telefone. Um conserva ainda o clarinete e duas pautas, o outro vai discando. Revirara o boné mas o risco mantinha-se na testa suada. Riram-se imenso quando o António Pedro começou a disparar.»

(Fátima Maldonado (com António Pedro Ferreira, fotografia), Lava de Espera, Câmara Municipal das Lajes do Pico, 1996: 15



segunda-feira, julho 14, 2003

MALDITO CONTADOR...

Pessoal que lê isto: as minhas desculpas - de cada vez que retiro o "contador" do template desaparece uma série de coisas que fazem falta no blog... Portanto, o bicho mantém-se por aqui, cada vez com menos utilidade!

AFECTOS (5) - LAVA DE ESPERA (2)

Continua a partilha de afectos pelas palavras da Fátima Maldonado:

A CRISÁLIDA, CALHETA DO NESQUIM

«[...] Mas Manuel Costa detesta que se façam grandes elevações e heroísmos à volta dos baleeiros. Porque eram quase escravos do armador, a soldada só a recebiam quando o óleo da baleia estava todo vendido. Que mais podiam fazer? Ir ao mar ou acabar de fome e o cachalote, “a nossa baleia”, aparecia ao calhar. Às vezes levava um mês e eles esperavam colados à muralha do cais, no “banco da preguiça”. Os homens não podiam desviar-se muito, só autorizados pelo agente da armação em que arriavam. No Inverno, a braveza do mar reduzia as hipóteses, o peixe apodrecia se não fosse escalado, era preciso vendê-lo nos arredores, muitas vezes às costas, trigo, milho ou ovos eram nesse tempo moeda de troca principal. Quando o vigia accionava a buzina e mais tarde o foguete-bomba largavam tudo, fosse o que fosse, estivessem onde estivessem. Quantas vezes os vapores do continente, o “Lima”, o “Carvalho Araújo”, escala em S. Jorge duas vezes por mês, ficaram a meio da descarga porque os baleeiros ouviam de repente o grito “baleia, baleia”. Os agentes rejeitavam-nos por isso e quem não tinha terra estava feito. Não havia remédio senão a busca dos States, correndo riscos, perigos altos, enganados pelos passadores tantos ficaram sem dinheiro e nenhuma esperança. Metiam-se mar fora e acontecia: ao chegarem junto do barco combinado os de dentro cortavam-lhes as mãos. Contam-se aventuras piores e destas memórias vivem todos, são a sua casa quando lá não estão.»
[...] A caça da baleia fechou em 1987, a miséria foi-se extinguindo com o dinheiro emigrado e a mudança para a pesca do atum, o albacora. O Pico é uma reserva, recolhem-se preciosos vestígios de uma civilização a esfumar-se. Mas a guerra acabou, resta apenas o palco dessa luta, alguns sobreviventes e poucos cetáceos.»


(Fátima Maldonado (com António Pedro Ferreira, fotografia), Lava de Espera, Câmara Municipal das Lajes do Pico, 1996: 10-11)


SE AINDA HAVIA DÚVIDAS...

Acabado de escrever o post abaixo, o senhor "contador" resolveu pregar-me uma partida: dos cento e tal visitantes contabilizados passou para oitenta e tal; depois para 1001! Desisto!!

DÚVIDAS

Este blog foi criado em 13 de Junho. Quando comecei, mal sabia como se inseria um post. Com algum tempo e a necessária paciência, lá fui aprendendo meia dúzia de truques para torná-lo um pouco mais "amigável" e, sobretudo, não fazer dele "coisa de umbigo". Para quem não sabe, os linques vários, etc., não aparecem aqui por obra e graça divinas. Pois bem, em 8 deste mês descobri como se colocava um "contador de visitantes". Confesso que antes de o inserir hesitei bastante: para que raio quero eu saber, e os que vêm aqui vem ler coisas, quantas pessoas gastam o seu tempo a "passear" por aqui? A verdade é que continuo sem ter a certeza porque raio (ainda) aqui está o "contador de visitantes"! Bom, quem vem cá fica a saber que neste preciso momento tem "X" companheiros de "visita" - os sentimentos de cada um, cada um os guardará para si (ou não!, como diz a minha amiga Azul...); e eu sei o mesmo mas sem saber quem são, sem poder conhecer os misteriosos "visitantes" (além de uns quantos amigos que me vão dizendo de sua justiça). Para não gastar mais o vosso tempo e paciência: o "contador" ainda aqui fica - e as dúvidas também...

AFECTOS (4) - LAVA DE ESPERA (1)

Os afectos dizem-se, goste-se ou não, (também) com palavras. Estas são da Fátima Maldonado. Outras, do mesmo livro, voltarão aqui em próximos "capítulos". Com, pelo menos, um destinatário certo. Um afecto que se partilha.

CÚPULAS, BIZANTINAS, PIEDADE

«[...] Da mistura entre as dores do mar, as mortes matadas dos grandes cetáceos e as dos outros, seus captores por miséria, necessidade e vício, escutam-se ecos. Os olhos dos santos esperam ainda preces, rogos, voltem aqueles que partiram, lembram nomes de barcos, a canoa S. Miguel, a S.tº Cristo, casos, o rapaz, pé enrolado no fio da baleia arpoada e já não voltou. Tinha dezanove anos.
[...] Em Agosto voltei à mesma igreja. A chuva, de repente escurecendo a bagacina, envernizou mais as árvores do incenso. Cobrem o Pico, nascem em todo o lado, mas na Arrábida recusam subir. Falta-lhes humidade, precisam daquelas mudanças bruscas de clima, inconstante como uma mulher mordida pela angústia. Tão depressa ri e a ilha volta ao sol, como emburrica e chora amachucando de raiva o lenço, faias e cedros desgrenhando, desespero súbito. Voltei com o Bernardo pela mão, tem seis anos o filho do António Pedro. Meu companheiro de igrejas e arqueologias pergunta sempre: "Onde é que está Deus?". E se me via mais parada: "Estás a rezar?". Não sei se lá estaria Deus naquele dia de grandes lavagens e arrumações. As mulheres desviaram os genuflexórios e conversavam. Iam despejando baldes de água no chão, bonés americanos na cabeça. Nessa convivência o Altar das Almas parecia comprazer-se, descansar do papel papão que lhe foi distribuído no teatro do mundo.»

(Fátima Maldonado (com António Pedro Ferreira, fotografia), Lava de Espera, Câmara Municipal das Lajes do Pico, 1996: 7-8)


sábado, julho 12, 2003

BRANDOS COSTUMES...

Um amigo enviou-me por e-mail o texto abaixo (obrigado, Hamilton!). Gostava que as nossas autoridades civis e religiosas o lessem e dele retirassem as devidas ilacções, e não só, as devidas actualizações. A minha dúvida está em saber qual será o interlocutor certo: o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa? O Ministro de Estado e da Defesa? O Ministro da Administração Interna? A Provedora da Casa Pia de Lisboa? A Provedora da Santa Casa da Misericórdia? O Cardeal de Lisboa? O Presidente da República? O Presidente da Assembleia da República? O Vilhena? A Madre Teresa de Calcutá? A Nossa Senhora de Fátima? O Pinto da Costa? O Vale e Azevedo? O Bibi? Eles todos? HELP ME!

«Verificando-se o aumento de actos atentatórios à moral e aos bons costumes, que dia a dia se vêm verificando nos logradouros públicos e jardins, e, em especial, nas zonas florestais Montes Claros, Parque Silva Porto, Mata da Trafaria, Jardim Botânico, Tapada da Ajuda e outros, determina-se à Polícia e Guardas Florestais uma permanente vigilância sobre as pessoas que procurem frondosas vegetações para a prática de actos que atentem contra a moral e os bons costumes. Assim, e em aditamento àquela Postura nº 69.035, estabelece-se e determina-se que o artº 48º tenha o cumprimento seguinte: 1º – Mão na mão (2$50); 2º – Mão naquilo (18$00); 3º – Aquilo na mão (30$00); 4º – Aquilo naquilo (50$00); 5º – Aquilo atrás daquilo (100$00). Parágrafo Único – Com a língua naquilo 150$00 de multa, preso e fotografado.»

(Câmara Municipal de Lisboa, Portaria de 1953)