quinta-feira, julho 31, 2003
O CIRCO NA GARAGEM (2)
1 espectáculo X 3
«Conheço aquela voz d’algum lado! Juro qu’é verdade! Tem cor de farturas, de choques de carrinhos eléctricos, de cheiro a sardinhas e a frango nas brasas, de rodopio, da gente a tar assim a modos qu’a’cair dum abismo abaixo, de anda cá meu malandro que são horas de jantar!»
[ver texto completo em Teatro no Ar]
quarta-feira, julho 30, 2003
AFECTOS (14)
«Querido
O meu corpo está no armário, entre a caixa do tédio e as tuas gravatas.
Se te servires dele não te esqueças de o desligar.
Eu fui às compras.
Até logo.»
Eugénia Mata, O Mundo das Ostras
O meu corpo está no armário, entre a caixa do tédio e as tuas gravatas.
Se te servires dele não te esqueças de o desligar.
Eu fui às compras.
Até logo.»
Eugénia Mata, O Mundo das Ostras
AFECTOS (13)
«é uma tarde de mudez
as folhas nas árvores
as folhas não bulem
e a roupa inerte dos corpos exaustos
na corda onde a rapariga
prende as mãos e elas se soltam
porque não existem
nessa tarde de mudez
apenas o vermelho da cara
onde o rapaz se aplica
com o gosto crescente
do vermelho afluir.»
Ana Paula Inácio, As Vinhas de Meu Pai, Quasi, 2000: 27
as folhas nas árvores
as folhas não bulem
e a roupa inerte dos corpos exaustos
na corda onde a rapariga
prende as mãos e elas se soltam
porque não existem
nessa tarde de mudez
apenas o vermelho da cara
onde o rapaz se aplica
com o gosto crescente
do vermelho afluir.»
Ana Paula Inácio, As Vinhas de Meu Pai, Quasi, 2000: 27
ESCLARECIMENTO
Do blog A NATUREZA DO MAL (de novo com a "devida vénia"):
Thursday, July 24, 2003
Esclarecimento
O CAM do Campo de Afectos publica um pedido de sangue. Já segui o mesmo trilho de boa vontade e fui mesmo a um IPO, disposta a colaborar. Fui daí encaminhada para a única entidade habilitada a fazer colheitas de sangue, o Instituto Português do Sangue (IPS), nas suas delegações regionais. Segui para o IPS, onde me informaram não ser sequer possível determinar o destinatário do sangue doado. Calculei que se o menino do mail da manhã precisava, lá haveria de chegar. Infelizmente, não passei a prova da balança: os 50Kg obrigatórios. Apesar da desilusão de não me deixarem ajudar, concordo em absoluto com as regras. Impedem que uma bolsa de sangue possa ser uma moeda de troca e deixam a quem sabe a decisão do destino de um bem comum. É verdade, um bem comum. Contribuam!
// posted by Sofia @ 4:46 PM
Thursday, July 24, 2003
Esclarecimento
O CAM do Campo de Afectos publica um pedido de sangue. Já segui o mesmo trilho de boa vontade e fui mesmo a um IPO, disposta a colaborar. Fui daí encaminhada para a única entidade habilitada a fazer colheitas de sangue, o Instituto Português do Sangue (IPS), nas suas delegações regionais. Segui para o IPS, onde me informaram não ser sequer possível determinar o destinatário do sangue doado. Calculei que se o menino do mail da manhã precisava, lá haveria de chegar. Infelizmente, não passei a prova da balança: os 50Kg obrigatórios. Apesar da desilusão de não me deixarem ajudar, concordo em absoluto com as regras. Impedem que uma bolsa de sangue possa ser uma moeda de troca e deixam a quem sabe a decisão do destino de um bem comum. É verdade, um bem comum. Contribuam!
// posted by Sofia @ 4:46 PM
A NATUREZA DO MAL
No blog A NATUREZA DO MAL, uns posts sobre recentes posições públicas sobre a suposta "nova poesia portuguesa". Com a "devida vénia", reproduzo aqui esses posts [v. tb. o meu post FIM-DE-SEMANA PERFEITO]:
Monday, July 28, 2003
Arte Poética
Poetas sem qualidades parece ser, para a esquadra pesada do apeadeiro, o alvo a abater . Declaro que é o meu livro de Verão. Como o livro teve uma edição de 350 exemplares vou passar a citá-lo (para os que não conhecem a editora AVERNO).
Quero escrever hoje, aqui, esta arte poética da Ana Paula Inácio e com ela resgatar o azedume dos posts anteriores e voltar ao espírito de A Natureza do Mal:
...com três paus
fazes uma canoa
com quatro tens um verso,
deixa o tempo fazer o resto.
// posted by Luis @ 11:03 AM
Quasi
E pela segunda vez no mesmo dia o nome de Jorge Reis-Sá vem ter comigo. Ele é co editor do apeadeiro 03. O homem parece apostado numa cruzada literária. Não percebo ainda quem são os cristãos nem os mouros. Mas se ele for cristão eu sou mouro e se for mouro serei cristão. Estou Quasi quasi a ter um preconceito com a editora de Famalicão. Agora já posso ter preconceitos sem sentir culpa.
// posted by Luis @ 10:53 AM
Grosseirões
Um poeta que a Claire Lunar aprecia disse uma vez aos vindouros que fossem gentis porque eles, os que viveram no duro tempo da luta de classes, não o tinham podido ser. Hoje, não vou dizer o que outro poeta, também alemão, comentou 20 anos depois. Os que escrevem no apeadeiro ainda não podem ser gentis. Fica a dúvida sobre se não são mesmo...rudes.
// posted by Luis @ 10:48 AM
Apeadeiro 03. Fujam!
Trouxeram-me a revista apeadeiro 03. Tem um dossier sobre crítica literária, uns poemas e um daqueles questionários infanto-juvenis que consta que o Proust fez a si próprio em dias de folga da Recherche. O questionário é sobre uma tal poesia digital, antologia que três personagens cujo nome não citarei para não os decorar- a Sofia até o NIB decora, deram à luz pelos vistos contra os poetas de 90, chamemos-lhe assim. O questionário parece ter sido formatado para possibilitar o tipo de respostas dominante, naquele suave exercício de cumplicidade redacção-entrevistado que agora revive, próprio das democracias vigiadas. Esses três senhores são pessoas muito mal dispostas e malcriadas que cultivam um ódio assustador ao que chamam a geração de 90. Como acordei bem disposto não vou lembrar-me do vocabulário que usam. Idéias não dei conta que houvesse. Gente daquela não pode gostar de poesia. Escrevo isto só para que mais nenhum incauto espere em apeadeiros destes.
// posted by Luis @ 10:11 AM
Sunday, July 27, 2003
A poesia de agora e o senhor Jorge Reis-Sá
Jorge Reis-Sá assina no Mil Folhas um texto sobre "A Poesia de Agora" que, a crer na nota introdutória da redacção parece ser um episódio de um debate cujos termos anteriores me escaparam. O ponto de vista principal é de que, na poesia que se revelou nos anos 90, existem dois caminhos ( a que ele chama também gerações).
Um teria como figuras de proa Manuel de Freitas e Pedro Mexia e integraria poetas como Carlos Luís Bessa, José Miguel Silva, Ana Paula Inácio e Rui Pires Cabral. Responderia ao apelo de Joaquim Manuel Magalhães de regresso ao real e praticaria "um franciscanismo(...) de urinóis, shoppings e telemóveis..." Teria granjeado fama (subentende-se não totalmente merecida?) através do exercício paralelo da crítica literária por alguns dos seus elementos proeminentes. Outro grupo, mais discreto, englobaria valter hugo mãe, Melícias, Vasco Gato, Pedro Sena-Lino e praticaria uma "poesia imagética devedora de Herberto Helder, Cesariny e Luís Miguel Nava". Este grupo teria compreendido que o regresso ao real foi chão que deu uvas e teria voltado "ao sublime".
De fora ficam outros nomes, presume-se que mais ligados a esta "simplicidade" que "sente que o real já foi visto, sentido e revisto."E que não vou citar porque entre eles está um dos meus poetas favoritos.
Só queria dizer, aqui da cela, algumas coisas simples.
De Ana Paula Inácio já disse o que sentia. Sublime resposta aquele silencio bartlebyano a uma antologia que lhe pedia um texto inédito (se alguém souber onde, em que ilha dos Açores, está Ana Paula, A Natureza do Mal rejubilaria).
Pedro Mexia, o de Eliot- não estou a falar do Dicionário do Diabo, é um poeta da cidade quando fica deserta, da atenção às pequenas coisas que se passam aqui mesmo ao nosso lado, da alegria incompreensível das namoradas. Como Manuel de Freitas ele escreveu uma geografia fascinante de Lisboa. Cafés, tabernas, shoppings que se adivinham suburbanos, praças ao fim do dia. Freitas é aparentemente mais brutal, com as referências ao alcoól e a um comércio sexual aparentemente destituído de ternura . Mas enternece-se com o taberneiro ou a mulher de detrás do balcão, o sorriso desdentado de uma mulher que varre o passeio. São, cada um à sua maneira, dois grandes poetas deste tempo. Que leram Ruy Belo concerteza. E Cesário, Herberto Helder, Cesariny, sim. E que felizmente não cabem numa definição tão simplista.
Pôr poetas contra poetas, em torneio, parece-me feio.
O texto de Jorge Reis-Sá é mal escrito, redutor, inexacto, injusto. A poesia de agora merece outra coisa.
Hoje de tarde, por coincidência, tinha por companhia o livro de Manuel de Freitas editado pela Frenesi e intitulado Infernos Artificiais. 300 exemplares! Quantos leitores? Chamar a esta "geração" festejada", reconhecida na praça" parece-me uma maldade.
Por mim faço votos para que o Manuel de Freitas (agora editado pela mais respeitável Assírio) não abandone o seu lado maldito, não troque a taberna pelo Lux e tenha sempre à disposição aquele deus sublime, que pode ser o autoclismo com a sagrada louça sanitária.
// posted by Luis @ 10:09 PM
Saturday, July 26, 2003
Ana Paula Inácio não te cales
Li no Mil Folhas que a revista Relâmpago reuniu alguns dos "jovens" poetas portugueses a quem pediu e publicou inéditos. Ana Paula Inácio não foi incluída por não ter nenhum inédito disponível.
Sim, talvez Ana Paula Inácio atravesse um desses momentos de silêncio. Sobre isso escreveu-se esse livro que tem o outro nome de Bartleby. O livro de contos de API é já o anúncio de um grande silêncio onde os personagens se vão sucessivamente apagando. Mas Ana Paula Inácio não se pode calar, logo agora que a descobrimos. Onde quer que estejas, no meio dos oceanos como gostas de dizer, não te cales. Nós gostamos de ti. Nós, esta gente anónima destes blogs quase confidenciais que vamos linkando, que sem darmos conta formamos na grande rede uma pequena rede de fios precários, voláteis, nós precisamos da tua voz que nos dá as coisas mínimas com que construímos a nossa voz.
// posted by Luis @ 4:22 PM
Monday, July 28, 2003
Arte Poética
Poetas sem qualidades parece ser, para a esquadra pesada do apeadeiro, o alvo a abater . Declaro que é o meu livro de Verão. Como o livro teve uma edição de 350 exemplares vou passar a citá-lo (para os que não conhecem a editora AVERNO).
Quero escrever hoje, aqui, esta arte poética da Ana Paula Inácio e com ela resgatar o azedume dos posts anteriores e voltar ao espírito de A Natureza do Mal:
...com três paus
fazes uma canoa
com quatro tens um verso,
deixa o tempo fazer o resto.
// posted by Luis @ 11:03 AM
Quasi
E pela segunda vez no mesmo dia o nome de Jorge Reis-Sá vem ter comigo. Ele é co editor do apeadeiro 03. O homem parece apostado numa cruzada literária. Não percebo ainda quem são os cristãos nem os mouros. Mas se ele for cristão eu sou mouro e se for mouro serei cristão. Estou Quasi quasi a ter um preconceito com a editora de Famalicão. Agora já posso ter preconceitos sem sentir culpa.
// posted by Luis @ 10:53 AM
Grosseirões
Um poeta que a Claire Lunar aprecia disse uma vez aos vindouros que fossem gentis porque eles, os que viveram no duro tempo da luta de classes, não o tinham podido ser. Hoje, não vou dizer o que outro poeta, também alemão, comentou 20 anos depois. Os que escrevem no apeadeiro ainda não podem ser gentis. Fica a dúvida sobre se não são mesmo...rudes.
// posted by Luis @ 10:48 AM
Apeadeiro 03. Fujam!
Trouxeram-me a revista apeadeiro 03. Tem um dossier sobre crítica literária, uns poemas e um daqueles questionários infanto-juvenis que consta que o Proust fez a si próprio em dias de folga da Recherche. O questionário é sobre uma tal poesia digital, antologia que três personagens cujo nome não citarei para não os decorar- a Sofia até o NIB decora, deram à luz pelos vistos contra os poetas de 90, chamemos-lhe assim. O questionário parece ter sido formatado para possibilitar o tipo de respostas dominante, naquele suave exercício de cumplicidade redacção-entrevistado que agora revive, próprio das democracias vigiadas. Esses três senhores são pessoas muito mal dispostas e malcriadas que cultivam um ódio assustador ao que chamam a geração de 90. Como acordei bem disposto não vou lembrar-me do vocabulário que usam. Idéias não dei conta que houvesse. Gente daquela não pode gostar de poesia. Escrevo isto só para que mais nenhum incauto espere em apeadeiros destes.
// posted by Luis @ 10:11 AM
Sunday, July 27, 2003
A poesia de agora e o senhor Jorge Reis-Sá
Jorge Reis-Sá assina no Mil Folhas um texto sobre "A Poesia de Agora" que, a crer na nota introdutória da redacção parece ser um episódio de um debate cujos termos anteriores me escaparam. O ponto de vista principal é de que, na poesia que se revelou nos anos 90, existem dois caminhos ( a que ele chama também gerações).
Um teria como figuras de proa Manuel de Freitas e Pedro Mexia e integraria poetas como Carlos Luís Bessa, José Miguel Silva, Ana Paula Inácio e Rui Pires Cabral. Responderia ao apelo de Joaquim Manuel Magalhães de regresso ao real e praticaria "um franciscanismo(...) de urinóis, shoppings e telemóveis..." Teria granjeado fama (subentende-se não totalmente merecida?) através do exercício paralelo da crítica literária por alguns dos seus elementos proeminentes. Outro grupo, mais discreto, englobaria valter hugo mãe, Melícias, Vasco Gato, Pedro Sena-Lino e praticaria uma "poesia imagética devedora de Herberto Helder, Cesariny e Luís Miguel Nava". Este grupo teria compreendido que o regresso ao real foi chão que deu uvas e teria voltado "ao sublime".
De fora ficam outros nomes, presume-se que mais ligados a esta "simplicidade" que "sente que o real já foi visto, sentido e revisto."E que não vou citar porque entre eles está um dos meus poetas favoritos.
Só queria dizer, aqui da cela, algumas coisas simples.
De Ana Paula Inácio já disse o que sentia. Sublime resposta aquele silencio bartlebyano a uma antologia que lhe pedia um texto inédito (se alguém souber onde, em que ilha dos Açores, está Ana Paula, A Natureza do Mal rejubilaria).
Pedro Mexia, o de Eliot- não estou a falar do Dicionário do Diabo, é um poeta da cidade quando fica deserta, da atenção às pequenas coisas que se passam aqui mesmo ao nosso lado, da alegria incompreensível das namoradas. Como Manuel de Freitas ele escreveu uma geografia fascinante de Lisboa. Cafés, tabernas, shoppings que se adivinham suburbanos, praças ao fim do dia. Freitas é aparentemente mais brutal, com as referências ao alcoól e a um comércio sexual aparentemente destituído de ternura . Mas enternece-se com o taberneiro ou a mulher de detrás do balcão, o sorriso desdentado de uma mulher que varre o passeio. São, cada um à sua maneira, dois grandes poetas deste tempo. Que leram Ruy Belo concerteza. E Cesário, Herberto Helder, Cesariny, sim. E que felizmente não cabem numa definição tão simplista.
Pôr poetas contra poetas, em torneio, parece-me feio.
O texto de Jorge Reis-Sá é mal escrito, redutor, inexacto, injusto. A poesia de agora merece outra coisa.
Hoje de tarde, por coincidência, tinha por companhia o livro de Manuel de Freitas editado pela Frenesi e intitulado Infernos Artificiais. 300 exemplares! Quantos leitores? Chamar a esta "geração" festejada", reconhecida na praça" parece-me uma maldade.
Por mim faço votos para que o Manuel de Freitas (agora editado pela mais respeitável Assírio) não abandone o seu lado maldito, não troque a taberna pelo Lux e tenha sempre à disposição aquele deus sublime, que pode ser o autoclismo com a sagrada louça sanitária.
// posted by Luis @ 10:09 PM
Saturday, July 26, 2003
Ana Paula Inácio não te cales
Li no Mil Folhas que a revista Relâmpago reuniu alguns dos "jovens" poetas portugueses a quem pediu e publicou inéditos. Ana Paula Inácio não foi incluída por não ter nenhum inédito disponível.
Sim, talvez Ana Paula Inácio atravesse um desses momentos de silêncio. Sobre isso escreveu-se esse livro que tem o outro nome de Bartleby. O livro de contos de API é já o anúncio de um grande silêncio onde os personagens se vão sucessivamente apagando. Mas Ana Paula Inácio não se pode calar, logo agora que a descobrimos. Onde quer que estejas, no meio dos oceanos como gostas de dizer, não te cales. Nós gostamos de ti. Nós, esta gente anónima destes blogs quase confidenciais que vamos linkando, que sem darmos conta formamos na grande rede uma pequena rede de fios precários, voláteis, nós precisamos da tua voz que nos dá as coisas mínimas com que construímos a nossa voz.
// posted by Luis @ 4:22 PM
ORA BOLAS!
Comentário de Luís M. Serpa ao post abaixo com citação de EPC ["É uma espécie de sonho adolescente..."]: "Ora bolas, Uma coisa tão boa e logo estragá-la com o EPC...".
segunda-feira, julho 28, 2003
FIM-DE-SEMANA PERFEITO
Este fim-de-semana confirmei:
1 – Que não faço parte da “nova poesia portuguesa” [grosso modo, obra dos poetas que começaram a publicar na década de 90 do século passado (que horror!)] [exemplo]
2 – Que não suscito ódios, invejas, traições, intrigas, etc - podem colocar o etc no princípio – nos locais de discussão pública [exemplo]
Fim-de-semana perfeito, pois!
1 – Que não faço parte da “nova poesia portuguesa” [grosso modo, obra dos poetas que começaram a publicar na década de 90 do século passado (que horror!)] [exemplo]
2 – Que não suscito ódios, invejas, traições, intrigas, etc - podem colocar o etc no princípio – nos locais de discussão pública [exemplo]
Fim-de-semana perfeito, pois!
AFECTOS (12)
Wuthering Winds – a casa do gelo
A habituação do olhar às imagens
exige o abandono de poéticas
que desistiram de perceber
a desmesura dos uivos
que as palavras soltam
antes de ser engolidas
pelas bocas do discurso.
Vi-o assim. A cabeça 3-D
já dificilmente detém
o descontrolo do pensamento
e abre-se de par em par
para refulgir na imagem
que, alucinada, toca tudo
em redor comunicando
ao cenário a nudez beatífica
de uma urna frigorífica.
Ao pensar, as paredes
do vídeo escancaram-se
dando do interior a visão
de um matadouro de onde
as peças pendem sustidas
pelo fluxo de um sangue
ainda cru e enriquecido.
Nas partes em que a carcaça
se azula a anomalia cresce
enchendo a estufa de cores
a que a temperatura,
contra o gosto, transmite
uma cor ainda mais escura.
Mas era preciso aí ter
permanecido para ver
as flores invadir
o mundo como uma criação
de que as palavras
eram os portadores
alterando o funcionamento
de cabeças que dentro de si
- do lugar em que
a morte se refugia –
nunca se viram reflectidas.
Serão estas imagens
de que me sirvo?
Uma criação da morte
ou a ninhada impura
em que luxuriante se
anuncia uma outra forma
mais lúcida de vida?
Fernando Guerreiro (inédito, Maio de 2003)
A habituação do olhar às imagens
exige o abandono de poéticas
que desistiram de perceber
a desmesura dos uivos
que as palavras soltam
antes de ser engolidas
pelas bocas do discurso.
Vi-o assim. A cabeça 3-D
já dificilmente detém
o descontrolo do pensamento
e abre-se de par em par
para refulgir na imagem
que, alucinada, toca tudo
em redor comunicando
ao cenário a nudez beatífica
de uma urna frigorífica.
Ao pensar, as paredes
do vídeo escancaram-se
dando do interior a visão
de um matadouro de onde
as peças pendem sustidas
pelo fluxo de um sangue
ainda cru e enriquecido.
Nas partes em que a carcaça
se azula a anomalia cresce
enchendo a estufa de cores
a que a temperatura,
contra o gosto, transmite
uma cor ainda mais escura.
Mas era preciso aí ter
permanecido para ver
as flores invadir
o mundo como uma criação
de que as palavras
eram os portadores
alterando o funcionamento
de cabeças que dentro de si
- do lugar em que
a morte se refugia –
nunca se viram reflectidas.
Serão estas imagens
de que me sirvo?
Uma criação da morte
ou a ninhada impura
em que luxuriante se
anuncia uma outra forma
mais lúcida de vida?
Fernando Guerreiro (inédito, Maio de 2003)
"É UMA ESPÉCIE DE SONHO ADOLESCENTE..."
«É uma espécie de sonho adolescente: reunir todos os textos, poemas, ensaios, versos, frases, palavras, sons (acrescento em segredo: os gestos) que um dia me tocaram. Uma espécie de antologia interminável, caprichosa e feroz, desalinhada e desigual, em que a última palavra, luminosa, seria sempre a palavra em falta. Depois, haveria o momento da partilha: estes textos, estas inscrições, estas marcas gráficas ou sonoras deveriam pertencer a um círculo em expansão, o círculo daqueles que as sabiam (ou prometiam aprender) amar.»
Eduardo Prado Coelho, “A Sabedoria de Olhos Cheios de Lágrimas” [Público, Mil Folhas, Sábado, 26.7.2003]
Eduardo Prado Coelho, “A Sabedoria de Olhos Cheios de Lágrimas” [Público, Mil Folhas, Sábado, 26.7.2003]
sábado, julho 26, 2003
AFECTOS (11)
HOJE E AMANHÃ, NO FIAR (PALMELA) "GIROFLÉ": ESPECTÁCULO IMPERDÍVEL DOS "CIRCOLANDO"! (leve um agasalho...).
Do Programa do FIAR:
CIRCOLANDO
Giroflé
Novo circo
Portugal
25, 26 e 27 de Julho
Dia 25: 21horas
Dia 26: 23 horas
Dia 27: 21 horas
Local: Revelim do Castelo de Palmela
Duração: 90 minutos
Numa cúpula gigante instala-se um jardim celeste. Jardim de terra, enraizado por homens tornados árvores, que se abre para tontas danças de carroça. Jardim que se alaga quando, entre imensos panos brancos, se agarra o céu por uma nuvem e se parte para a celebração da água. Jardim que respira vento para a vertigem dos voos de um par de galináceas. Jardim que é o lugar secreto de figuras sem nome que vivem do ofício do sonho. Sonho do jardineiro endeusado que sempre aqui vem procurar a tranquilidade do sono.
Giroflé situa-se no cruzamento de diferentes linguagens artísticas – circo, dança, teatro físico, marionetas, música – e, privilegiando o discurso emotivo e sensorial, procura cumprir a utopia do público total.
Num suceder de quadros, compõe-se um manifesto poético que, mergulhando no sonho e na transmudação, estabelece uma forma singular de comunidade com a natureza. Ao público apenas lhe pedimos a tranquilidade para contemplar.
Desenvolvendo a sua actividade desde 1999, Circolando propõe-se participar no movimento que procura a reinvenção do circo nos espaços de cruzamento das múltiplas linguagens artísticas.
Tem vindo a fazê-lo produzindo espectáculos – Caixa insólita (2000), Rabecas (2001), Giroflé (2002) – que abordam universos dramatúrgicos pela construção de quadros visuais e poéticos. Quadros que exploram os modos de falar que não podem ser traduzidos por palavras, antes se deslocam entre imagens e movimentos penetrados de sensações e emoções. Espectáculos que, fundando-se na experimentação e no trabalho sobre propostas colectivas, envolvem processos longos de criação. Criação que se torna quase contínua com o prolongar da itinerância. Sempre vivos estão pois estes espectáculos que atravessaram terras de Portugal, Espanha, França, Holanda, Bélgica, Reino Unido e Eslovénia.
Criação colectiva
Direcção artística
André Braga e Cláudia Figueiredo
Direcção e encenação
André Braga
Assistência de encenação
Pedro Cal
Direcção dramatúrgica
Cláudia Figueiredo
Direcção plástica
João Calixto
Composição musical
Alfredo Teixeira
Desenho de luz
Cristina Piedade
Sonoplastia
Anatol Waschke
Cenografia
André Braga, Pedro Cal e João Calixto
Coordenação técnica
Nuno Neto
Direcção de produção
Luísa Moreira
Interpretação
André Braga, Graça Ochoa, João Calixto, João Vladimiro, Pedro Cal e Sofia Figueiredo
PRÉMIO TEATRO NA DÉCADA DO CLUBE PORTUGUÊS DE ARTES E IDEIAS
Do Programa do FIAR:
CIRCOLANDO
Giroflé
Novo circo
Portugal
25, 26 e 27 de Julho
Dia 25: 21horas
Dia 26: 23 horas
Dia 27: 21 horas
Local: Revelim do Castelo de Palmela
Duração: 90 minutos
Numa cúpula gigante instala-se um jardim celeste. Jardim de terra, enraizado por homens tornados árvores, que se abre para tontas danças de carroça. Jardim que se alaga quando, entre imensos panos brancos, se agarra o céu por uma nuvem e se parte para a celebração da água. Jardim que respira vento para a vertigem dos voos de um par de galináceas. Jardim que é o lugar secreto de figuras sem nome que vivem do ofício do sonho. Sonho do jardineiro endeusado que sempre aqui vem procurar a tranquilidade do sono.
Giroflé situa-se no cruzamento de diferentes linguagens artísticas – circo, dança, teatro físico, marionetas, música – e, privilegiando o discurso emotivo e sensorial, procura cumprir a utopia do público total.
Num suceder de quadros, compõe-se um manifesto poético que, mergulhando no sonho e na transmudação, estabelece uma forma singular de comunidade com a natureza. Ao público apenas lhe pedimos a tranquilidade para contemplar.
Desenvolvendo a sua actividade desde 1999, Circolando propõe-se participar no movimento que procura a reinvenção do circo nos espaços de cruzamento das múltiplas linguagens artísticas.
Tem vindo a fazê-lo produzindo espectáculos – Caixa insólita (2000), Rabecas (2001), Giroflé (2002) – que abordam universos dramatúrgicos pela construção de quadros visuais e poéticos. Quadros que exploram os modos de falar que não podem ser traduzidos por palavras, antes se deslocam entre imagens e movimentos penetrados de sensações e emoções. Espectáculos que, fundando-se na experimentação e no trabalho sobre propostas colectivas, envolvem processos longos de criação. Criação que se torna quase contínua com o prolongar da itinerância. Sempre vivos estão pois estes espectáculos que atravessaram terras de Portugal, Espanha, França, Holanda, Bélgica, Reino Unido e Eslovénia.
Criação colectiva
Direcção artística
André Braga e Cláudia Figueiredo
Direcção e encenação
André Braga
Assistência de encenação
Pedro Cal
Direcção dramatúrgica
Cláudia Figueiredo
Direcção plástica
João Calixto
Composição musical
Alfredo Teixeira
Desenho de luz
Cristina Piedade
Sonoplastia
Anatol Waschke
Cenografia
André Braga, Pedro Cal e João Calixto
Coordenação técnica
Nuno Neto
Direcção de produção
Luísa Moreira
Interpretação
André Braga, Graça Ochoa, João Calixto, João Vladimiro, Pedro Cal e Sofia Figueiredo
PRÉMIO TEATRO NA DÉCADA DO CLUBE PORTUGUÊS DE ARTES E IDEIAS
sexta-feira, julho 25, 2003
INACREDITÁVEL!
Não sei como é possível, mas o Ministério da Educação permite que qualquer pessoa verifique, on-line, o nosso Curriculum escolar mesmo que já tenha terminado de estudar há 50 anos. Se quiser experimentar para ver se o seu está correcto, o endereço é:
http://alunos2002.no.sapo.pt
http://alunos2002.no.sapo.pt
quarta-feira, julho 23, 2003
AFECTOS (9)
«Na Praia
Raça de marinheiros, que outra coisa vos chamar,
senhoras que com tanta dignidade
à hora que o calor mais apertar
coroadas de graça e majestade
entrais pela água dentro e fazeis chichi no mar?»
Ruy Belo, Homem de Palavra(s), Lisboa, Dom Quixote, Cadernos de Poesia, 1970: 121
Raça de marinheiros, que outra coisa vos chamar,
senhoras que com tanta dignidade
à hora que o calor mais apertar
coroadas de graça e majestade
entrais pela água dentro e fazeis chichi no mar?»
Ruy Belo, Homem de Palavra(s), Lisboa, Dom Quixote, Cadernos de Poesia, 1970: 121
terça-feira, julho 22, 2003
ALQUIMIA (3)
Trabalho de casa.
Trabalho sobre os textos do Virgílio Martinho [ver posts de 20 e 25 de Junho] na companhia de W. Benjamin (Rua de sentido único e Infância em Berlim por volta de 1900, Relógio d’Água, 1992):
«[...] a força de um texto diverge, conforma é lido ou transcrito. [...] somente quando copiado, o texto domina a alma do que sobre ele se debruça, ao passo que o simples leitor nunca chega a conhecer as novas perspectivas do seu íntimo [...]» [p. 43]
«Não há nada de mais pobre que uma verdade expressa tal como foi pensada. [...]» [p. 97]
«As citações, no meu trabalho, são como salteadores à beira do caminho, que irrompem armados e retiram ao passeante a sua convicção. [...]» [p. 98]
Trabalho de cópia.
«[...] Sei, escrevo hoje e invento-me, estou presente no emaranhado das coisas da memória. [...]»
[Relógio de cuco, p. 50]
«Eu amava o velho pai como quem amam uma coisa inventada, sem palavras nem carinhos. Via-o enorme, as pernas sempre a fugirem de mim, o corpo magro ligeiramente curvado e lá em cima e as fossas do seu nariz. E era esta e não outra a minha invenção de pai. Via-o e era o mesmo que sentir-me duas vezes, como sombra na parede ou imagem no espelho. Porque ele tinha um ar severo e grave, raramente me falava, nunca me beijava, só uma vez me atirou com a mona às pernas. Como um pai que não há. [...]»
[Relógio de cuco, p. 13]
Trabalho sobre os textos do Virgílio Martinho [ver posts de 20 e 25 de Junho] na companhia de W. Benjamin (Rua de sentido único e Infância em Berlim por volta de 1900, Relógio d’Água, 1992):
«[...] a força de um texto diverge, conforma é lido ou transcrito. [...] somente quando copiado, o texto domina a alma do que sobre ele se debruça, ao passo que o simples leitor nunca chega a conhecer as novas perspectivas do seu íntimo [...]» [p. 43]
«Não há nada de mais pobre que uma verdade expressa tal como foi pensada. [...]» [p. 97]
«As citações, no meu trabalho, são como salteadores à beira do caminho, que irrompem armados e retiram ao passeante a sua convicção. [...]» [p. 98]
Trabalho de cópia.
«[...] Sei, escrevo hoje e invento-me, estou presente no emaranhado das coisas da memória. [...]»
[Relógio de cuco, p. 50]
«Eu amava o velho pai como quem amam uma coisa inventada, sem palavras nem carinhos. Via-o enorme, as pernas sempre a fugirem de mim, o corpo magro ligeiramente curvado e lá em cima e as fossas do seu nariz. E era esta e não outra a minha invenção de pai. Via-o e era o mesmo que sentir-me duas vezes, como sombra na parede ou imagem no espelho. Porque ele tinha um ar severo e grave, raramente me falava, nunca me beijava, só uma vez me atirou com a mona às pernas. Como um pai que não há. [...]»
[Relógio de cuco, p. 13]
segunda-feira, julho 21, 2003
ALQUIMIA (2)
Descobri há pouco que alguns leitores do blog não estão familiarizados com o seu funcionamento: uma amiga sabia que estava aqui o meu texto sobre o Virgílio Martinho e como ele não está imediatamente à vista não o leu. Por isso, para quem aqui chegue e não seja “blogonavegador” fica o esclarecimento: no lado direito do blog, abaixo dos "LINQUES", está a palavra "HISTÓRICO" e logo abaixo desta, datas em link: clicando tem acesso aos textos (posts) organizados por semana - o blog vai "escondendo" os textos passados mas eles continuam acessíveis. Se por qualquer razão não descobrir o que quer, utilize o recurso do e-mail (abaixo deste post [Comentário] ou no cimo do blog do lado direito).
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