quarta-feira, agosto 06, 2003
DÚVIDA
O que dirão do post abaixo os arautos da poesia de experiência/vivido? E os outros? E os que se estão nas tintas para uns e outros?
APRENDIZAGEM
Não sei colocar títulos nos meus poemas; aqui, titulo por necessidade de comunicação imediata/sintética.
LIÇÃO
Há uns dias, a minha filha (quase 10 anos), fez-me ver a diferença entre uso e gasto: a propósito da sua diferente manipulação de um clip e de um agrafo.
ESTATÍSTICA
Um só post do blog O Meu Pipi tem mais visitantes que cerca de três semanas e meia de vida deste campo de afectos.
terça-feira, agosto 05, 2003
ANDO PELA ILHA...
Ando pela ilha a falar de amor eu que nada sei do amor
ainda agora mesmo o deixei cair num caldo de peixe
na ponta de são joão a olhar o cinzento do oceano
perturbado pelo azul talvez também o dos teus olhos
desculpa não me lembrar mas acontece-me sempre o mesmo
os meus olhos começam por não ver a cor dos outros olhos
apenas uma luz um brilho que me retém ou não desculpa
não é destas bagatelas de cores e brilhos que quero falar-te
na verdade desfio palavras porque não sei o que dizer-te
ou que palavras usar para te dizer o que ainda não sei
falo no presente que já é passado e é preciso que seja assim
ou talvez não como diria a nossa amiga que agora olha a morte de frente
no presente que agora se desdobra em futuro chove e não cheira a terra
isto não passa de uma informação útil como um horário de avião
de facto o que me apetece é voltar a ser ilha junto de ti
e não ter nada de especial para dizer apenas ouvir
ou deixar que o silêncio fique branco e nele escreva não sei
aqui de certeza chove.
cam (inédito, 2002)
(gosto mesmo desta imagem...)
ainda agora mesmo o deixei cair num caldo de peixe
na ponta de são joão a olhar o cinzento do oceano
perturbado pelo azul talvez também o dos teus olhos
desculpa não me lembrar mas acontece-me sempre o mesmo
os meus olhos começam por não ver a cor dos outros olhos
apenas uma luz um brilho que me retém ou não desculpa
não é destas bagatelas de cores e brilhos que quero falar-te
na verdade desfio palavras porque não sei o que dizer-te
ou que palavras usar para te dizer o que ainda não sei
falo no presente que já é passado e é preciso que seja assim
ou talvez não como diria a nossa amiga que agora olha a morte de frente
no presente que agora se desdobra em futuro chove e não cheira a terra
isto não passa de uma informação útil como um horário de avião
de facto o que me apetece é voltar a ser ilha junto de ti
e não ter nada de especial para dizer apenas ouvir
ou deixar que o silêncio fique branco e nele escreva não sei
aqui de certeza chove.
cam (inédito, 2002)
(gosto mesmo desta imagem...)
AFECTOS (18) [AZUL]
Respondo ao teu pedido de palavras para preencheres o vazio
da janela esqueci-me de perguntar as dimensões agora não importa
uma paisagem branca com uns pormenores de mulheres disseste
azuis mas o mar aí não é assim não é?
provavelmente não te interessa ter o mar nessa janela
outra possibilidade é pendurar lá um catálogo de viagens
um inventário de fugas ou o último poema por fazer.
cam (inédito, 2002)
[para ti, doa lá onde doer]
da janela esqueci-me de perguntar as dimensões agora não importa
uma paisagem branca com uns pormenores de mulheres disseste
azuis mas o mar aí não é assim não é?
provavelmente não te interessa ter o mar nessa janela
outra possibilidade é pendurar lá um catálogo de viagens
um inventário de fugas ou o último poema por fazer.
cam (inédito, 2002)
[para ti, doa lá onde doer]
VERDADE, VERDADINHA?
Digo eu: mesmo nos blogues mais confessionais, a verdade que mais dói/ilumina não se diz porque é sempre(?) um (pretenso ou não) consumível de literatura; por isso, fico-me por aqui...
(gosto desta imagem...)
(gosto desta imagem...)
AFECTOS (17)
Meditação idiota ao deitar-se sozinho
Se disseste, e repetiste em tantas ocasiões,
que o teu único amor é uma mala,
por que te queixas e protestas
enquanto olhas o tecto sobre a tua cama solitária.
Vítima, juiz e, por fim, verdugo,
ainda podes sentir que te comoves por alguém te amar,
mas tu escolheste, de certo modo, esse destino
e agora tens de pagar o preço.
Tu, que pronunciaste “amo-te” tantas vezes
para te rir de seguida da tua própria frase,
que esperas?, a quem pedes em vão?
Se quando encontras alguém que partilha os teus dias,
as tuas noites mais terríveis, a tua soma de fracassos,
tens medo de dizer-lhe “continuemos juntos sempre”
mesmo que seja uma frase, mesmo que não acredites nisso,
que fim é o teu?, que é que esperas?
E se também te queixas das grotescas farsas
que muitas vezes inúteis, inúteis, constróis,
com frívolas histórias, palavras mercenárias,
que pretendes?, que pedes à vida?
A vida não é um jogo, deveste compreendê-lo,
e se há algo muito claro é que envelheceste.
Conforma-te e aguenta, e não peças milagres,
que o vodka te acompanhe ao silêncio e ao sono.
Aos pés da tua cama, qual cadela com cio,
a morte, desperta, dá-te as boas noites.
Juan Luis Panero (in revista Belém [CCB] (dir. Alexandre Melo), nº 4, Abril de 2002: 105, trad. Joaquim Manuel Magalhães)
Se disseste, e repetiste em tantas ocasiões,
que o teu único amor é uma mala,
por que te queixas e protestas
enquanto olhas o tecto sobre a tua cama solitária.
Vítima, juiz e, por fim, verdugo,
ainda podes sentir que te comoves por alguém te amar,
mas tu escolheste, de certo modo, esse destino
e agora tens de pagar o preço.
Tu, que pronunciaste “amo-te” tantas vezes
para te rir de seguida da tua própria frase,
que esperas?, a quem pedes em vão?
Se quando encontras alguém que partilha os teus dias,
as tuas noites mais terríveis, a tua soma de fracassos,
tens medo de dizer-lhe “continuemos juntos sempre”
mesmo que seja uma frase, mesmo que não acredites nisso,
que fim é o teu?, que é que esperas?
E se também te queixas das grotescas farsas
que muitas vezes inúteis, inúteis, constróis,
com frívolas histórias, palavras mercenárias,
que pretendes?, que pedes à vida?
A vida não é um jogo, deveste compreendê-lo,
e se há algo muito claro é que envelheceste.
Conforma-te e aguenta, e não peças milagres,
que o vodka te acompanhe ao silêncio e ao sono.
Aos pés da tua cama, qual cadela com cio,
a morte, desperta, dá-te as boas noites.
Juan Luis Panero (in revista Belém [CCB] (dir. Alexandre Melo), nº 4, Abril de 2002: 105, trad. Joaquim Manuel Magalhães)
segunda-feira, agosto 04, 2003
AFECTOS (16) - LAVA DE ESPERA (4)
Vinho de cheiro, escravos e lava
«[...] O picaroto não tem saída, de um lado a terra maluca que sem mais nem menos se amotina, convulsiona, escoiceia, mula manhosa de pernas para o ar mostrando o reverso, a barriga mais clara onde o pelo guarda o placar da cilha; do outro o mar, mar atlântico, traiçoeiro, cheio de humores e frio. De Inverno ataca, a ponto de destruir bocados da costa e obstina-se na vila a escarvar nas portas. Na rua da Pesqueira, a principal, há protecções de madeira que defendem as casas do oceano como da fúria de um miura picado.
Na erupção do Pico dos Cavaleiros, em 1562, a lava esventrou a terra e dessa cesariana nasceu o “mistério” da Prainha. Solos de biscoito encarniçado onde farão a pulso despontar as vides ou estranhas árvores anãs, torcidas como anomalias japonesas. [...] Em 1718 outra erupção brutal varre searas, sufoca animais, aterroriza gente, as bocas de fogo abrem da terra e saem do mar arranques de lava. Depois, arrefeceu nos “mistérios” de S. João, Bandeiras e Santa Luzia. Em 1720 nova calamidade, de Julho até Dezembro escorreram sempre cinco cadeias ígneas até ao mar, solidificando outro “mistério”, o da Silveira. No chão, urzela, manto da terra ardida e lava solta. Conta-se que nesta deslocação costa a costa uma faixa permaneceu virgem. Um boi pastou até petrificar a lava, prometido ao Espírito Santo, os elementos respeitaram o que seria mais tarde sopa sagrada de pobres e vizinhos. Agora parece tudo apaziguado. [...]
Ao descer no Pico tende-se à ilusão, após o massacre das ruas lisboetas aparece bucólica, esquece-se quase a armadilha. As ilhas são perigosas, demasiado jovens, ainda não fincadas nem definitivas, cumes apenas de montanhas submersas; circulam e circundam-nos entre mar e lava, crateras donde não há saída senão para o mar. Foge-se do Pico, não se abala calmamente. É uma espécie de Deserto dos Tártaros, a fortaleza de Dino Buzzatti. Tal como acontecia à guarnição sentimo-nos espiados, S. Jorge não nos larga, sempre a reboque, e o Faial, em frente, tem-nos sob escolta. E a culminar, o olho do vulcão, Big Brother alerta onde quer que estejamos. Vê-se de toda a ilha, às vezes encoberto é apenas suspeita, outras envolve-se de véus lilases, ou azuis escuro. E se se ofende? E se derrama raiva de estar sempre preso à ilha?»
(Fátima Maldonado (com António Pedro Ferreira, fotografia), Lava de Espera, Câmara Municipal das Lajes do Pico, 1996: 17-18
«[...] O picaroto não tem saída, de um lado a terra maluca que sem mais nem menos se amotina, convulsiona, escoiceia, mula manhosa de pernas para o ar mostrando o reverso, a barriga mais clara onde o pelo guarda o placar da cilha; do outro o mar, mar atlântico, traiçoeiro, cheio de humores e frio. De Inverno ataca, a ponto de destruir bocados da costa e obstina-se na vila a escarvar nas portas. Na rua da Pesqueira, a principal, há protecções de madeira que defendem as casas do oceano como da fúria de um miura picado.
Na erupção do Pico dos Cavaleiros, em 1562, a lava esventrou a terra e dessa cesariana nasceu o “mistério” da Prainha. Solos de biscoito encarniçado onde farão a pulso despontar as vides ou estranhas árvores anãs, torcidas como anomalias japonesas. [...] Em 1718 outra erupção brutal varre searas, sufoca animais, aterroriza gente, as bocas de fogo abrem da terra e saem do mar arranques de lava. Depois, arrefeceu nos “mistérios” de S. João, Bandeiras e Santa Luzia. Em 1720 nova calamidade, de Julho até Dezembro escorreram sempre cinco cadeias ígneas até ao mar, solidificando outro “mistério”, o da Silveira. No chão, urzela, manto da terra ardida e lava solta. Conta-se que nesta deslocação costa a costa uma faixa permaneceu virgem. Um boi pastou até petrificar a lava, prometido ao Espírito Santo, os elementos respeitaram o que seria mais tarde sopa sagrada de pobres e vizinhos. Agora parece tudo apaziguado. [...]
Ao descer no Pico tende-se à ilusão, após o massacre das ruas lisboetas aparece bucólica, esquece-se quase a armadilha. As ilhas são perigosas, demasiado jovens, ainda não fincadas nem definitivas, cumes apenas de montanhas submersas; circulam e circundam-nos entre mar e lava, crateras donde não há saída senão para o mar. Foge-se do Pico, não se abala calmamente. É uma espécie de Deserto dos Tártaros, a fortaleza de Dino Buzzatti. Tal como acontecia à guarnição sentimo-nos espiados, S. Jorge não nos larga, sempre a reboque, e o Faial, em frente, tem-nos sob escolta. E a culminar, o olho do vulcão, Big Brother alerta onde quer que estejamos. Vê-se de toda a ilha, às vezes encoberto é apenas suspeita, outras envolve-se de véus lilases, ou azuis escuro. E se se ofende? E se derrama raiva de estar sempre preso à ilha?»
(Fátima Maldonado (com António Pedro Ferreira, fotografia), Lava de Espera, Câmara Municipal das Lajes do Pico, 1996: 17-18
AFECTOS (15)
Onde se cruza a linha da vida
Se cruza a do coração
Somos dois rios
Que se afastam em silêncio
E os anos acumulam
De um pó essencial
Antes de desaparecer
Para nunca mais
Já se perde
Na corrente fortíssima
A luz dos teus olhos
Até ao fim dos anos
Os teus olhos
Me fixarão.
Ernesto Sampaio, Fernanda (Fenda, 2000: 43)
Se cruza a do coração
Somos dois rios
Que se afastam em silêncio
E os anos acumulam
De um pó essencial
Antes de desaparecer
Para nunca mais
Já se perde
Na corrente fortíssima
A luz dos teus olhos
Até ao fim dos anos
Os teus olhos
Me fixarão.
Ernesto Sampaio, Fernanda (Fenda, 2000: 43)
YAH MEU!
O I. A. do senhor Paulo e Cunha Silva continua a tratar bem os criadores portugueses... A um pedido de informações enviado por e-mail, em 23 de Julho, sobre os novos regulamentos de financiamento das artes do espectáculo, respondem hoje, 15 dias depois, dizendo que... agora já não posso saber nada! Yah meu!
«De: "Relações Públicas" | Isto é spam | Adicionar à lista de endereços
Para: "'Carlos Alberto Machado'"
Assunto: RE: Regulamentos
Data: Mon, 4 Aug 2003 17:38:42 +0100
Exmo. Senhor
Carlos Alberto Machado,
em resposta à sua solicitação, informamos que o ante-projecto de financiamento na área do espectáculo já não se encontram disponíveis uma vez que irá ser brevemente discutida em Conselho de Ministros. Informamos, ainda, que entre hoje e amanha estarão disponíveis no sítio de internet do Instituto Português das Artes do Espectáculo (www.ipae.pt) os regulamentos para cada uma das áreas das artes do espectáculo.
Para mais informações, poderá contactar o IPAE para os seguintes contactos:
INSTITUTO PORTUGUÊS DAS ARTES DO ESPECTÁCULO - IPAE
Av. Conselheiro Fernando de Sousa, 21-A, 2º e 3º - 1070-072 LISBOA
Tel: 21 382 5200 - Fax: 21 382 5207
Email: ipae@ipae.pt
www.ipae.pt
Com os melhores cumprimentos,
a D.S.R.P.D.
-------------------------------------------------------
Ministério da Cultura
Direcção de Serviços de Relações Publicas e Documentação
Palácio Nacional da Ajuda
1300-018 Lisboa
Tel.: 213624021 Fax: 213621832
relacoespublicas@min-cultura.pt
-----Mensagem original-----
De: Carlos Alberto Machado [mailto:camlisbon@yahoo.com]
Enviada: quarta-feira, 23 de Julho de 2003 12:23
Para: infocultura@min-cultura.pt
Assunto: Regulamentos
Exmos. Senhores:
Agradeço o envio - ou informação sobre consulta na Net - do anunciado (na imprensa) novo ante-projecto de financiamento do teatro e das artes do espectáculo.
Muito obrigado.
Respeitosamente,
Carlos Alberto Machado »
«De: "Relações Públicas"
Para: "'Carlos Alberto Machado'"
Assunto: RE: Regulamentos
Data: Mon, 4 Aug 2003 17:38:42 +0100
Exmo. Senhor
Carlos Alberto Machado,
em resposta à sua solicitação, informamos que o ante-projecto de financiamento na área do espectáculo já não se encontram disponíveis uma vez que irá ser brevemente discutida em Conselho de Ministros. Informamos, ainda, que entre hoje e amanha estarão disponíveis no sítio de internet do Instituto Português das Artes do Espectáculo (www.ipae.pt) os regulamentos para cada uma das áreas das artes do espectáculo.
Para mais informações, poderá contactar o IPAE para os seguintes contactos:
INSTITUTO PORTUGUÊS DAS ARTES DO ESPECTÁCULO - IPAE
Av. Conselheiro Fernando de Sousa, 21-A, 2º e 3º - 1070-072 LISBOA
Tel: 21 382 5200 - Fax: 21 382 5207
Email: ipae@ipae.pt
www.ipae.pt
Com os melhores cumprimentos,
a D.S.R.P.D.
-------------------------------------------------------
Ministério da Cultura
Direcção de Serviços de Relações Publicas e Documentação
Palácio Nacional da Ajuda
1300-018 Lisboa
Tel.: 213624021 Fax: 213621832
relacoespublicas@min-cultura.pt
-----Mensagem original-----
De: Carlos Alberto Machado [mailto:camlisbon@yahoo.com]
Enviada: quarta-feira, 23 de Julho de 2003 12:23
Para: infocultura@min-cultura.pt
Assunto: Regulamentos
Exmos. Senhores:
Agradeço o envio - ou informação sobre consulta na Net - do anunciado (na imprensa) novo ante-projecto de financiamento do teatro e das artes do espectáculo.
Muito obrigado.
Respeitosamente,
Carlos Alberto Machado
CHUPACABRAS !!
Hoje parece que ando em maré de "descobertas"...; descobri também que NÃO sou este senhor!!
"Pesquisador Paranense Carlos Alberto Machado [!!], do CIPEX, com maquetes dos CHUPACABRAS, baseado em descrições de testemunhas do Brasil e Porto Rico"
"Pesquisador Paranense Carlos Alberto Machado [!!], do CIPEX, com maquetes dos CHUPACABRAS, baseado em descrições de testemunhas do Brasil e Porto Rico"
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