Voltei de novo à Natureza (hoje estou muito impaciente...), e roubei lá isto da Sofia:
"Não há nada que nos proteja da alma dos outros."
Até me esqueci do "comentador"...
quinta-feira, agosto 14, 2003
Ó VIZINHOS!
Fui ali num instantinho aos meus vizinhos d'A Natureza do Mal falar com eles mas a merda do "comentador", ou lá como é que se chama aquilo, não funciona, merda!
PESSOAL & (IN)TRANSMISSÍVEL
Quando resolvi criar este blogue fiz uma espécie de pacto comigo mesmo: evitar a exposição de assuntos e sentimentos estritamente pessoais - afinal, o que se escreve aqui é do domínio público, e não o privado que se expõe em público - é verdade que em alguns blogues essa distinção não se faz (de forma deliberada ou não): mas não quero ditar leis a ninguém nem gosto de ser orientado por regras para as quais não fui ouvido nem achado... A verdade (para mim...) é esta: só me permito o "pessoal" na justa medida em que uma matéria dessa natureza se transfigura em algo de prazer partilhável - nem que seja por apenas mais um visitante/leitor; que nem sempre nenhum de nós saiba onde começa e acaba a ténue fronteira entre uma e outra coisa é outra conversa - ou é sempre a mesma, o que não tira nem acrescenta nada à questão... Hoje, pois bem, hoje, hoje, merda!, quero quebrar a minha regra (se é que não a quebrei, sem o perceber, no passado!) - aos meus amigos, àquela meia dúzia de bons amigos "para toda a vida", quero dizer: pessoal, isto hoje não está "a dar", não está mesmo "a dar"! E não sei o que dizer mais, o que posso dizer mais... o bichinho da dúvida está aqui a roer-me a canela, mas... lá vai...
quarta-feira, agosto 13, 2003
AFECTOS (24) - MANOEL DE BARROS (1)
Minhocas arejam a terra; poetas, a linguagem.
Se no tranco do vento a lesma treme,
no que sou de parede a mesma prega;
se no fundo da concha a lesma freme,
aos refolhos da carne ela se agrega;
se nas abas da noite a lesma treva,
no que em mim jaz de escuro ela se trava;
se no meio da náusea a lesma gosma,
no que sofro de musgo a cuja lasma;
se no vinco da folha a lesma escuma,
nas calçadas do poema a vaca empluma!
-----------------------------------------------------------
Pois o que disse Joyce foi que o arame farpado quem inventou foi uma freira, para amarrar na cintura dela quando viesse a tentação.
Manoel de Barros, "Livro de Pré-Coisas", em Gramática Expositiva do Chão, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1996: 252-3
BEAUVOIR & SARTRE
Preciso de livros (usados) de / sobre Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre. É para trabalho (não sou colecionador...). Obrigado.
BOM DIA...
Bom dia
a torneira do lavatório
continua a pingar aperto-a
porque é um desperdício dizem
tomo banho porque sim e espero
pelo correio porque refaz a solidão até
as contas por pagar são uma companhia
ou os folhetos a anunciar férias e saldos
sonho com o corredor da tua casa nova
penso em ti em nós sem certezas não
me lembro dos pormenores
tento organizar projectos
e pequenos afazeres
e por agora
penso em ti
sobrevivo
por agora.
cam [ inédito, 2002 ]
a torneira do lavatório
continua a pingar aperto-a
porque é um desperdício dizem
tomo banho porque sim e espero
pelo correio porque refaz a solidão até
as contas por pagar são uma companhia
ou os folhetos a anunciar férias e saldos
sonho com o corredor da tua casa nova
penso em ti em nós sem certezas não
me lembro dos pormenores
tento organizar projectos
e pequenos afazeres
e por agora
penso em ti
sobrevivo
por agora.
cam [ inédito, 2002 ]
terça-feira, agosto 12, 2003
DIVULGAÇÃO
«A Fonoteca Municipal de Lisboa vai promover pela segunda vez consecutiva o PHONO.
Este festival de música realizar-se-á novamente nas instalações desta biblioteca especializada, de 07 de Novembro a 5 de Dezembro do 2003, às Sextas-feiras pelas 21h30. Na continuação do projecto iniciado em 2002, o PHONO'03 pretende difundir, tanto quanto possível, novas formas de estar na música e novas bandas. Esta mostra musical continuará a ter entrada livre, mas desta feita com apenas um concerto por noite.
Assim, iremos seleccionar cinco novas bandas portuguesas, de várias áreas musicais (Pop/Rock, Tradicional, Electrónica etc.), às quais ofereceremos o nosso espaço e as condições necessárias para a sua apresentação pública, solicitando o indispensável contributo da comunicação social, e fazendo convites a A&R de diversas editoras, produtoras e personalidades da música portuguesa.
O PHONO'03 conta orgulhosamente com diversos apoios: na divulgação contamos com o apoio da Carris e da revista Mondo Bizarre e, também na divulgação, mas sobretudo no acompanhamento e promoção das bandas e do festival estamos ao lado do DN+ (suplemento do jornal Diário de Notícias), que fará um acompanhamento a par e passo, projectando o festival e as bandas que o compõem nas suas diversas fases e da revista mensal Rock Sound que para além do destaque ao acontecido durante o PHONO'03 na edição de Janeiro, utilizará também CD sampler que acompanha a revista para uma promoção especial ao que mais se destacar nesta mostra de música.
As inscrições estão abertas de 18 de Agosto a 15 de Setembro a todos os géneros musicais. Os interessados deverão enviar ou entregar directamente uma maqueta em CD, com no mínimo 2 músicas, biografia e ficha de inscrição disponível na Fonoteca ou no respectivo site, onde poderão ainda consultar o regulamento do PHONO'03.
Fonoteca Municipal de Lisboa
Praça Duque de Saldanha
Edifício Monumental, Loja 17
1050-094 Lisboa
Tel. 21 353 62 31 / 2
Fax 21 354 12 50
E-mail: fonoteca@cm-lisboa.pt»
Este festival de música realizar-se-á novamente nas instalações desta biblioteca especializada, de 07 de Novembro a 5 de Dezembro do 2003, às Sextas-feiras pelas 21h30. Na continuação do projecto iniciado em 2002, o PHONO'03 pretende difundir, tanto quanto possível, novas formas de estar na música e novas bandas. Esta mostra musical continuará a ter entrada livre, mas desta feita com apenas um concerto por noite.
Assim, iremos seleccionar cinco novas bandas portuguesas, de várias áreas musicais (Pop/Rock, Tradicional, Electrónica etc.), às quais ofereceremos o nosso espaço e as condições necessárias para a sua apresentação pública, solicitando o indispensável contributo da comunicação social, e fazendo convites a A&R de diversas editoras, produtoras e personalidades da música portuguesa.
O PHONO'03 conta orgulhosamente com diversos apoios: na divulgação contamos com o apoio da Carris e da revista Mondo Bizarre e, também na divulgação, mas sobretudo no acompanhamento e promoção das bandas e do festival estamos ao lado do DN+ (suplemento do jornal Diário de Notícias), que fará um acompanhamento a par e passo, projectando o festival e as bandas que o compõem nas suas diversas fases e da revista mensal Rock Sound que para além do destaque ao acontecido durante o PHONO'03 na edição de Janeiro, utilizará também CD sampler que acompanha a revista para uma promoção especial ao que mais se destacar nesta mostra de música.
As inscrições estão abertas de 18 de Agosto a 15 de Setembro a todos os géneros musicais. Os interessados deverão enviar ou entregar directamente uma maqueta em CD, com no mínimo 2 músicas, biografia e ficha de inscrição disponível na Fonoteca ou no respectivo site, onde poderão ainda consultar o regulamento do PHONO'03.
Fonoteca Municipal de Lisboa
Praça Duque de Saldanha
Edifício Monumental, Loja 17
1050-094 Lisboa
Tel. 21 353 62 31 / 2
Fax 21 354 12 50
E-mail: fonoteca@cm-lisboa.pt»
segunda-feira, agosto 11, 2003
A MINHA CASA PARECE-SE COM OS DOMINGOS...
A minha casa parece-se com os domingos aos domingos
parece que é recorrente as casas parecerem-se com os domingos
quando as casas aos domingos se enchem do que não há
nos outros dias da semana os dias em que se conspira
para apagar da criação o último dia da semana inútil
como são todos os dias em que não há nada para fazer
senão esperar voltar ao princípio e começar tudo de novo.
cam [publicado na Periférica]
AFECTOS (23) - CESARINY (2)
Todos por um
A manhã está tão triste
que os poetas românticos de Lisboa
morreram todos com certeza
Santos
Mártires
e Heróis
Que mau tempo estará a fazer no Porto?
Manhã triste, pela certa.
Oxalá que os poetas românticos do Porto
sejam compreensivos a pontos de deixarem
uma nesgazinha de cemitério florido
que é para os poetas românticos de Lisboa não terem
de recorrer à vala comum.
Mário Cesariny, Nobilíssima Visão, Lisboa, Guimarães Editores, 1976: 40
A manhã está tão triste
que os poetas românticos de Lisboa
morreram todos com certeza
Santos
Mártires
e Heróis
Que mau tempo estará a fazer no Porto?
Manhã triste, pela certa.
Oxalá que os poetas românticos do Porto
sejam compreensivos a pontos de deixarem
uma nesgazinha de cemitério florido
que é para os poetas românticos de Lisboa não terem
de recorrer à vala comum.
Mário Cesariny, Nobilíssima Visão, Lisboa, Guimarães Editores, 1976: 40
domingo, agosto 10, 2003
"Um dia alguém numa grande cidade longínqua dirá que morri..."
Poema inédito sem título
Um dia alguém numa grande cidade longínqua dirá que morri
di-lo-á decerto com pena mas sem o alívio que eu próprio decerto senti
primeiro ao solucionar de vez esse problema de respiração que a vida é
desde a convulsão da criança que a meio do copo deixou ir leite para a traqueia
até a instantânea atrapalhação do mergulhador a quem de súbito falta o ar comprimido
só dispõe da reserva e lhe faltava tanto que ver no fundo sonhador do mar
depois senti alívio porque às vezes a meio por exemplo da aragem na face
eu pensava na morte como problema metafísico a resolver pelo menos com higiene
se não com dignidade com acerto como mais um problema à medida do homem
Eu estava do lado dos vivos estou do lado dos mortos
o grande problema era saber se me doía ou se não me doía
agora nem sei se me doeu ou não ou fui um mero espectáculo de mau gosto
para a única pessoa encarregada de me ajudar nesse momento
Ninguém a princípio terá sabido que eu morrera só minha
mulher avisada de longe virá e me porá a mão sobre a testa
os demais não não disponho do olhar para me defender
o tempo depressa se passa são trâmites legais até me terem deixado
debaixo do chão bem debaixo do chão sem frases lidas
ou gravadas sem sentimento nenhum
Uns dias depois um pequeno grupo junto a uma grande janela
olhará a neblina da manhã de janeiro
e terá mãos que eu tive para os meus problemas de vivos
Onde eu estive sobre uma mesa com uma perna cruzada
suaves começarão a suceder-se e acumular-se os dias
como cartas revistas linguísticas ou livros adormecidos
despertos apenas no momento fugaz da leitura
A vida será indistinta virá até nós como árvores
rodará em volta como um lençol até cobrir-nos os ombros
Falareis de mim não posso impedir que faleis de mim
mas já nada disso me pesa como o simples facto de ter de ser vosso amigo
Estou só e só para sempre e só desde sempre
mas antes por direito de opção. Agora não
Deixaram-me aqui doutor em tantas e tão grandes tristezas portuguesas
e durmo o sono das coisas convivo com minerais preparo a minha juventude definitiva
Era como eu esperava mas não posso dizer-vos nada
pois tendes ainda o problema e a cara da pessoa viva
Ruy Belo, Consolação, 12-30 dia 15/IV/74 [surripiado ao blog Outro Eu, em 10 de Agosto de 2003; segundo o autor do blog, foi surripiado ao jornal Público que o editou como inédito (não sei quando)]
Um dia alguém numa grande cidade longínqua dirá que morri
di-lo-á decerto com pena mas sem o alívio que eu próprio decerto senti
primeiro ao solucionar de vez esse problema de respiração que a vida é
desde a convulsão da criança que a meio do copo deixou ir leite para a traqueia
até a instantânea atrapalhação do mergulhador a quem de súbito falta o ar comprimido
só dispõe da reserva e lhe faltava tanto que ver no fundo sonhador do mar
depois senti alívio porque às vezes a meio por exemplo da aragem na face
eu pensava na morte como problema metafísico a resolver pelo menos com higiene
se não com dignidade com acerto como mais um problema à medida do homem
Eu estava do lado dos vivos estou do lado dos mortos
o grande problema era saber se me doía ou se não me doía
agora nem sei se me doeu ou não ou fui um mero espectáculo de mau gosto
para a única pessoa encarregada de me ajudar nesse momento
Ninguém a princípio terá sabido que eu morrera só minha
mulher avisada de longe virá e me porá a mão sobre a testa
os demais não não disponho do olhar para me defender
o tempo depressa se passa são trâmites legais até me terem deixado
debaixo do chão bem debaixo do chão sem frases lidas
ou gravadas sem sentimento nenhum
Uns dias depois um pequeno grupo junto a uma grande janela
olhará a neblina da manhã de janeiro
e terá mãos que eu tive para os meus problemas de vivos
Onde eu estive sobre uma mesa com uma perna cruzada
suaves começarão a suceder-se e acumular-se os dias
como cartas revistas linguísticas ou livros adormecidos
despertos apenas no momento fugaz da leitura
A vida será indistinta virá até nós como árvores
rodará em volta como um lençol até cobrir-nos os ombros
Falareis de mim não posso impedir que faleis de mim
mas já nada disso me pesa como o simples facto de ter de ser vosso amigo
Estou só e só para sempre e só desde sempre
mas antes por direito de opção. Agora não
Deixaram-me aqui doutor em tantas e tão grandes tristezas portuguesas
e durmo o sono das coisas convivo com minerais preparo a minha juventude definitiva
Era como eu esperava mas não posso dizer-vos nada
pois tendes ainda o problema e a cara da pessoa viva
Ruy Belo, Consolação, 12-30 dia 15/IV/74 [surripiado ao blog Outro Eu, em 10 de Agosto de 2003; segundo o autor do blog, foi surripiado ao jornal Público que o editou como inédito (não sei quando)]
sábado, agosto 09, 2003
AFECTOS (22) - CESARINY (1)
O POETA CHORAVA
O poeta chorava
o poeta buscava-se todo
o poeta andava de pensão em pensão
comia mal tinha diarreias extenuantes
mas buscava uma estrela talvez a salvação?
O poeta era sinceríssimo
honesto
total
raras vezes tomava o eléctrico
em podendo
voltava
não podendo
ver-se-ia
tudo mais ou menos
a cair de vergonha
mais ou menos
como os ladrões
E agora o poeta começou por rir
rir de vós ó manutensores
da afanosa ordem capitalista
comprou jornais foi para casa leu tudo
quando chegou à página dos anúncios
o poeta teve um vómito que lhe estragou
as únicas que ainda tinha
e pôs-se a rir do logro é um tanto sinistro
mas é inevitável é um bem é uma dádiva.
Tirai-lhe agora os poemas que ele próprio despreza
negai-lhe o amor que ele mesmo abandona
caçai-o entre a multidão
crucificai-o de novo mas com requinte.
Subsistirá. É pior do que isso.
Prendei-o. Viverá de tal forma
que as próprias grades farão causa com ele.
E matá-lo não é solução.
O poeta.
O Poeta
O POETA DESTRÓI-VOS.
Mário Cesariny, Nobilíssima Visão, Lisboa, Guimarães Editores, 1976: 15-16
O inferno é o real absoluto. Quanto mais infernal mais verdadeiro. Por enquanto.”
Dizem que hoje é o dia em que o poeta comemora o seu 80º aniversário: se assim for, parabéns Mário!
Nos jornais de hoje: Público e DN
O poeta chorava
o poeta buscava-se todo
o poeta andava de pensão em pensão
comia mal tinha diarreias extenuantes
mas buscava uma estrela talvez a salvação?
O poeta era sinceríssimo
honesto
total
raras vezes tomava o eléctrico
em podendo
voltava
não podendo
ver-se-ia
tudo mais ou menos
a cair de vergonha
mais ou menos
como os ladrões
E agora o poeta começou por rir
rir de vós ó manutensores
da afanosa ordem capitalista
comprou jornais foi para casa leu tudo
quando chegou à página dos anúncios
o poeta teve um vómito que lhe estragou
as únicas que ainda tinha
e pôs-se a rir do logro é um tanto sinistro
mas é inevitável é um bem é uma dádiva.
Tirai-lhe agora os poemas que ele próprio despreza
negai-lhe o amor que ele mesmo abandona
caçai-o entre a multidão
crucificai-o de novo mas com requinte.
Subsistirá. É pior do que isso.
Prendei-o. Viverá de tal forma
que as próprias grades farão causa com ele.
E matá-lo não é solução.
O poeta.
O Poeta
O POETA DESTRÓI-VOS.
Mário Cesariny, Nobilíssima Visão, Lisboa, Guimarães Editores, 1976: 15-16
O inferno é o real absoluto. Quanto mais infernal mais verdadeiro. Por enquanto.”
Dizem que hoje é o dia em que o poeta comemora o seu 80º aniversário: se assim for, parabéns Mário!
Nos jornais de hoje: Público e DN
sexta-feira, agosto 08, 2003
AFECTOS (21)
Ilha do Pico, Companhia de Cima
na cidade dos pensamentos
em minha casa
na sala esférica
pendurei o quadro dos afectos
estás lá
na cidade dos pensamentos
chego à janela e vejo-te
posso acenar-te
convidar-te para um chá de canela
posso descer as escadas
oferecer-te um mangerico
ou salsa
ou alguma erva imprevista
na cidade dos pensamentos
andamos nas mesmas ruas
e abraçamo-nos ao mesmo tempo
bebemos copos de água
e café
em pequenas pastelarias cinzentas
almoçamos sardinhas muitas vezes
ou sórdidas bifanas
nas tascas que resistem
na cidade dos pensamentos
nunca se sabe a que hora
vão tocar os sinos
ou saltam os cantos das mesquitas
a que hora entramos nas mesmas lojas
em busca de coisas miúdas
de cheiros ou de cores
na cidade dos pensamentos
vou a tua casa
e bebo o teu vinho
e o teu café
dás-me petiscos e sangrias
risos novos que inventas na altura
levas-me à janela
há fogo de artifício
Filipa Azul
na cidade dos pensamentos
em minha casa
na sala esférica
pendurei o quadro dos afectos
estás lá
na cidade dos pensamentos
chego à janela e vejo-te
posso acenar-te
convidar-te para um chá de canela
posso descer as escadas
oferecer-te um mangerico
ou salsa
ou alguma erva imprevista
na cidade dos pensamentos
andamos nas mesmas ruas
e abraçamo-nos ao mesmo tempo
bebemos copos de água
e café
em pequenas pastelarias cinzentas
almoçamos sardinhas muitas vezes
ou sórdidas bifanas
nas tascas que resistem
na cidade dos pensamentos
nunca se sabe a que hora
vão tocar os sinos
ou saltam os cantos das mesquitas
a que hora entramos nas mesmas lojas
em busca de coisas miúdas
de cheiros ou de cores
na cidade dos pensamentos
vou a tua casa
e bebo o teu vinho
e o teu café
dás-me petiscos e sangrias
risos novos que inventas na altura
levas-me à janela
há fogo de artifício
Filipa Azul
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