sábado, fevereiro 28, 2004


Encosto-me às paredes com umas quantas pequenas verdades nas mãos cerradas. Não ter as outras já não dói, apenas cansa. O corpo é um rio confundido entre a montanha e o mar. O meu dizer não sustém o mundo. Nem ele as minhas palavras.
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quinta-feira, fevereiro 12, 2004


Sob os meus pés, a lava em grãos torna impreciso o andar. O vento forte põe-me lágrimas nos olhos. Desbasto as impurezas nas palavras e invento uma fraga de desejos.



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sábado, fevereiro 07, 2004


Nenhuma palavra antes dita nos mostrou toda a mentira do mundo. Dizê-lo não basta, nunca bastou.

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Regresso à casa de passar as tardes. O meu guardião está sentado a meditar, coberto de líquenes azuis.

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quarta-feira, fevereiro 04, 2004


O nosso pequeno pedaço de mundo estagnou numa espécie de morte.



Um gesto apenas um pouco mais largo – mas exacto. Um pequeno deslize e é traição.

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quinta-feira, janeiro 29, 2004


As ondas em altas vagas levantadas pelos corpos submergem a casa de passar as tardes.



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terça-feira, janeiro 27, 2004


Sob as pedras negras jazem palavras. Possuem a intensidade da luz de uma estrela morta há milhões de anos.



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No meio do Atlântico há uma casa gémea da casa de passar as tardes. Perto de um vulcão.



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segunda-feira, janeiro 26, 2004


Um músculo por vezes fraqueja. Retorce-se. E depois desiste. Nem mesmo um sorriso largo o salva.


O meu guardião fala-me de limiares. Por exemplo: os limites da sombra do muro no lajedo.



Um rio deve ser rigoroso. Ter peixes e plantas e pedras e areias. Bombear água sem contrariar a Lua. E deixar-se morrer no mar.

Os rios subterrâneos estão silenciosos. Acumula-se lixo na calçada do general. Na casa de passar as tardes insinua-se uma dor. Como um gás inodoro e letal.


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Inventário: um punho cresceu até ao tamanho de um braço. E invadiu-me um sonho.



Um corpo ondula em imagens. Projecta-se no escuro da parede.

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domingo, janeiro 25, 2004


Certos movimentos dos rios subterrâneos fazem da casa de passar as tardes uma ilha. Mais propriamente: um vulcão numa ilha.



O meu guardião está vigilante. Sente a presença de um intruso. Pelo sim, pelo não, preparo os copos de cristal.
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sábado, janeiro 24, 2004


O meu guardião lê sempre o mesmo livro. Como se o escrevesse.



Leves sulcos na dureza da pele. Talvez palavras.

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sexta-feira, janeiro 23, 2004




A pele suave e tépida de um corpo. A pele gretada e áspera de outro corpo. A pele. Sempre resistente à escrita.



Uma língua de fogo aflora a mão em arco.
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quinta-feira, janeiro 22, 2004


Pão e laranjas alimentam a nossa noite. A água é para o repouso do dia.



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quarta-feira, janeiro 21, 2004


Deixarei um dia, nas primeiras folhas do meu caderno, a lista das minhas dívidas. As restantes folhas em branco imaculado.



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